sábado, 2 de maio de 2015

Licantropo

Amor que existe
Como menstruação coagulada
Que a mim ninguém me assiste
Nem a dor de parto de puta, nem nada

Se desejo houvesse
Para além da minha janela
Na tua, se não me mordesse
Perversa mentirosa, porcelana, bela

Se desejo eu tivesse
Talvez voasse como um homem
Daqueles a sério, de pedra
Daqueles de verdade, alarves

Mas vergonha, também sinto
Na cara, pois então
E cada vez que eu me venho
É cortês lamberes um limão

Medo do medo...

Na vã, santa constipação. Na viagem ou alunagem se fez rica. Morde o cão, morde João. Gostas dela? Vai João, atira-te que ela é de certa cor por fora e por dentro de outra. Que pecado ser vaiado pela malta de Aljustrel. Que pecado ser lambido por aquela língua de fel. Vai Armando, vai Joel. Compra-me o diário de ontem.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014


Última previsão do tempo

Tudo o que é mundo se afasta da concepção. Fujam mães para o buraco, enterrem vossos filhos bem fundo. Que de baixo da grama há um trato, de sangue e chamas e ar, ao que parece, carne nua que apetece, bolinhos de mãe desnaturada.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Li algures, em fonte insegura, que os americanos andam doidos por informação. E vasculham tudo. Obama abriu o precedente, como Thatcher, como Reagan, outrora, anda tudo doido, outrora nos tempos idos do Zé Fixe. Digam que eu avisei, que fui político no passado, do futuro serei olhado e Deus não perdoa pretos atrevidos, vão para os calabouços do céu, para o breu da História. Se eu fosse rico compraria um cão, se eu fosse livre comia a minha irmã. Mas acolheu-me, dentro de mim, um gosto por deusas de gosto duvidoso. O Obama é mau, somos todos. Era o propósito desta merda. 

sábado, 18 de maio de 2013


Minha pita de estimação toca cítara
Num beijo se perdeu em vasos mornos
Fechei-a porque não encontro falanges iguais

Trato-a muito bem
Alimento-lhe o ego e a alma com queijinho
Minha pita de estimação
Toca cítara agrilhoada

Numa cave húmida onde escrevo poesia
Em liteira de oiro se some
Para o maior profundo

Minha pita de estimação
Acorda
Acorda
Acorda

quinta-feira, 9 de maio de 2013



Paulo rasgou a sua roupa completamente.
Hum.
Completamente. Susana conheceu um homem rico.
Um homem vermelho com gemidos neuróticos.
O seu pai foi castrado. Que culpa ele tem? Ele ri.
Paulo rasgou sua roupa completamente e cuspiu no seu mamilo.
Hum. Huff. Não metas hamsters no buraco negro que eles morrem de tédio.
Lili tem o seu cabelo atado e o velho olha para ela.
Beijou-a incondicionalmente espreitando pela janela.
Um Cadillac. É isso que queres? Vermelho como um homem rico.
Ele ri e enriquece.
Ele ri e enriquece e fica fogo e fica dentro e vai para o céu.
Porque gritas minha querida? Porque eu estou frenético dentro de ti?