sábado, 18 de maio de 2013


Minha pita de estimação toca cítara
Num beijo se perdeu em vasos mornos
Fechei-a porque não encontro falanges iguais

Trato-a muito bem
Alimento-lhe o ego e a alma com queijinho
Minha pita de estimação
Toca cítara agrilhoada

Numa cave húmida onde escrevo poesia
Em liteira de oiro se some
Para o maior profundo

Minha pita de estimação
Acorda
Acorda
Acorda

quinta-feira, 9 de maio de 2013



Paulo rasgou a sua roupa completamente.
Hum.
Completamente. Susana conheceu um homem rico.
Um homem vermelho com gemidos neuróticos.
O seu pai foi castrado. Que culpa ele tem? Ele ri.
Paulo rasgou sua roupa completamente e cuspiu no seu mamilo.
Hum. Huff. Não metas hamsters no buraco negro que eles morrem de tédio.
Lili tem o seu cabelo atado e o velho olha para ela.
Beijou-a incondicionalmente espreitando pela janela.
Um Cadillac. É isso que queres? Vermelho como um homem rico.
Ele ri e enriquece.
Ele ri e enriquece e fica fogo e fica dentro e vai para o céu.
Porque gritas minha querida? Porque eu estou frenético dentro de ti?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Gira coisa concreta, carregada de filosofia. Morte santa com tristeza, fuma manta rota da beleza. Mais ferrugem do que sarro. E as mamas do Picasso voltam secas para a terra. Voltam mansas para o prado. Nobre pudim, nobre pudim. Fresca verdura me acena, lá ao longe, diz-me tu? Que vês, lá ao longe, que vês? O passado mastigado pela percepção carnívora? Ou porcos a jogar à apanhada, felizes pela segunda infância? Meninas de vestes rasgadas com mamilos rosáceo ao sol dourado, pés abraçando a terra quente. Que hás-de tu ver, preguiça.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Abruma esfumarança-se...

Ferminossauro tenincoroso dormilindo de fé, paviofecundo, cresmivivaro treslocoso num barco fulgeguloso em noite de marcha a ré. Carpiam os dentes do texugato, erectodoido num funil à média luz. Num reptilhumo de voz vivaça, num carpir de cama em voo de traça. Não me agitilises a morena pequenança, nem o grito do gnumilinio parvonilinio de trança. Nem que negues o sentiguloso, o fusco prévio do acrilimio. Mau pfum, mau pfas, minha lingufocinhosa de noite, na semilausencia do vermilocoiso nas minhapernias, que ohzas. Tantos olhos, tantos dentes projexiomados. Meu fundo mau, meu fundo pfum, mau fundiolencio que causa dobras ao custedo desse rapaz.

sábado, 29 de setembro de 2012

Porco original
Imaculado pêsame
Substância primordial
No contexto exacto
Fundamento equilátero
No equilíbrio da nascença
Nem eu nasço nem ele fode
No impasse da abstinência



Sois capitalistas

Essa ceifeira burocrática que reduz a matéria carnal a substância percentual. Que troca vidas por trocos no cofre de Estado. Vocês, capitalistas, oleados e sem chão histórico talvez se devessem informar sobre a Alemanha nazi, como as donzelas de mãos enroladas nos esposos, passeavam pelos campos, aspirando o aroma a carne queimada e assobiavam para o lado porque criam no sistema. O sistema não é Paços Coelho como muitos idiotas pensam. O sistema é o capitalismo. O mesmo que limita o acesso aos medicamentos mais caros para tratamento de doenças como a sida ou o cancro. E que manipula a evolução tecnológica a seu bel-prazer com olhar no lucro (obsolescência). Deixai-os morrer que mais fica para burguês gastar. E burgueses são todos vocês que se queixam não sei do quê. Que não têm alternativa a este sistema porque sofreram uma lavagem cerebral tremenda. Há vida para além do dinheiro, uma vida em que os bens são divididos de forma equitativa. Em que todos têm os mesmos direitos e ninguém é relegado para a base da pirâmide social por carecer de ouro. Vocês não usam suásticas, usam iPods e roupa trendy. Vocês não queimam judeus em campos de concentração, mas relegam boa parte da população mundial para a pobreza, miséria e consequente morte por pura avareza. Sem falar no entulho que é enviado para o terceiro mundo, resultado do consumismo exacerbado e da obsolescência. Nem há diferença entre querer pertencer ao ideal ariano ou querer pertencer a uma classe social elevada. É a destrinça pela aparência do poder. Vocês são os novos nazis. Alguém olhará fundo para a história com vómito reflexo atravessado na garganta. Já que vocês aqui não entendem, não têm perspectiva. A televisão de fraca qualidade, a péssima educação e a cultura consumista não vos deixa, vós não quereis. Fostes educados pelos vossos pais, que pouco tiveram, que o bom comportamento se paga com bens materiais, vistes a vossa atenção comprada por familiares, o melhor tio, a melhor avó era o/a que dava mais brinquedos, ninguém quer saber de princípios. Vocês são uma cambada de idiotas que se deixam manipular pela máquina. Ser do sistema é confortável. Vocês são nazistas, não, de facto sois piores, sois capitalistas.

domingo, 19 de agosto de 2012

o reino...

No meio da floresta húmida as rodas de um carro rubro alisavam o tapete de veludo com o peso de uma tonelada e tanto, mais uma figura longilínea munida de objectos metálicos de cor de oiro. No fundo não se ouvia o arfar de um mocho ou a morte cantando cantigas de sofisma e ainda assim carregada no coração, num pelouro importante e sufocado de visão curta e reacção rápida. Abre-se a mala mágica do artefacto locomotor e um ente pequeno é levado às costas negando o cheiro que o envolvia, se o havia, se não teria sido também ele levado pelo vácuo apaziguador do músculo vermelho turbinado. Enfim, encontram-se presos um ao outro por saliva e camas de terra e pontas e dedos nas concavidades da matéria. Ora nos olhos, ora na boca, descobrindo a resistência da carne, rompendo-se generosamente esperando que o fim seja um período a lembrar à distancia. E da lua se fez leite triunfante, espalhado hegemonicamente pelo peito sofredor que depois de aberto permitiu-se à obscuridade de uma mão esfomeada. Que o azul desceu sobre a paisagem, que a mágoa obsoleta se lhe verteu dos olhos. Já se sabia.