sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Humildemente, o vosso profeta...

Bem, parece que, afinal não existe qualquer pandemia da gripe dos porcos, o que é pena já que estava a brotar toda uma nova religião com indivíduos bem definidos. Toda e qualquer pessoa que apresente extrema relutância em frequentar restaurantes chineses, apresenta também, e isto é curioso, uma estranha atracção por Tamiflu. Facto importante que chegou aos ouvidos omnipresentes das farmacêuticas. Que agora, escandalosamente, podem ser processadas.
No seguimento desta complexa questão, aconteceu para o mundo uma tremenda revelação de proporções bíblicas, ou seja, a revelação de um novo profeta. Obrigado.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Natal...


Com as horas empedrenidas pela ânsia dos pequenos e os doces a liquefazerem-se por entre as gengivas macias dos anciães ,fluindo pelo sangue gordo sob olhar atento dos jovens adultos responsáveis. Assim se esperava o Natal na minha terra.
-Só à meia noite. - Dizia em tom conservador.
E os minutos passavam cada vez mais densamente enquanto os pequenos se afundavam em cadeiras altas de conformismo retorcido.
-Só à meia noite. - Dizia ela com olhar esgazeado, enquanto se esforçava para retezar o temperamento.
-Tem fome avozinha? - A velha sobre ergueu a sobrancelha. Era a última instância da afirmação.
-Se queres matá-la porque não lhe espetas uma faca no coração? Ou a sufocas com uma almofada enquanto dorme? Era um gesto de misericórdia. Algo inédito vindo de ti, porém uma forma mais humana de morrer, em vez de entupires o raio da velha com essas porcarias cheias de açúcar. Ou queres cegá-la ,privando-a de ver com os seus próprios olhos o uso que dás às tuas carnes desprovidas de pudor? - Dito num tom irónico, afiado com a mais banal das crueldades.
Nisto a vergonha tomou conta daquelas paredes e acabou por condensar em silêncio.
-SÓ À MEIA NOITE. - E deixando-se controlar pela ira, distribuiu selectivamente pelas faces marmóreas um bom par de estalos que ecoou pela divisão e fez acalmar as ingénuas almas rebeldes que ainda se inquietavam com ânsias.
-Meninos... e meninas. Quero-vos aqui. Na..na..não. Aqui ajoelhados ao pé do menino Jesus. - Obedeceram sem excepção. - Agora façam uma pequena retrospectiva por favor. Pensem lá bem se foram fieis a tudo aquilo que aprenderam na catequese. Se a vossa consciência não pesar, pois que às 00:00 horas em ponto estiquem o braço e abram as prendas com o vosso nome. Caso contrário devem levantar-se e ir imediatamente para a cama de mãos vazias. Compreendem? - As crianças compreendem e as mesmas crianças não arredam o pé, um centímetro que seja. - Muito bem, vejo que estes anjinhos servem o interesse do Senhor. - E dito isto, espalha um sorriso estreito que dá a volta à sala, triunfante.
-Esperem, ainda não, só quando eu disser. Pronto, abram lá.
E eles abriram e fora-lhes dada ordem imediata de recolha.
A miudita mais pequena fica para trás a olhar para o resquício enevoado de ser que era a sua avó. Com um olhar triste e pesado, a velha, por entre a pele macia dos lábios já nada habituados a articulações dignas desse nome, sussurou de forma indecifrável um "Feliz Natal" enquanto as lágrimas se afundavam nos sulcos do seu rosto.

A expressão da criança arrebatada por um sorriso eléctrico e espontâneo que levou consigo para a cama. Adormeceu com os dentes serrados, para que aquela felicidade se aninha-se dentro dela, aquecendo-a para sempre.

domingo, 13 de dezembro de 2009

A importância da Maria...

Li eu em tenra idade na mítica revista Maria que se arrumasse o meu pénis sempre para o mesmo lado iria fazer com que os corpos cavernosos amolecessem o lado respectivo, tornando a minha erecção desviante. Ou seja, penderia para um dos lados do parlamento. E de facto isso já se reflectia. Sendo eu do centro asséptico não poderia permitir que tal orgão conspurcasse a minha ideologia.

Portanto, homens, segui o conselho da querida revista Maria e hoje sou um homem recto e feliz.

sábado, 14 de novembro de 2009

Sei lá...

Fechada em casa e impossibilitada de usar o espelho de Narciso, afunda a mão na cara húmida e recorda as acções que a tornam miserável.
Era normal culpar o mundo à sua volta e por outro lado, este, assim também retribuía.
Com as mãos abertas frente à grande lareira de pedra, deixava as lágrimas cairem no mosaico quente e desaparecerem.
Os dentes rangiam e as unhas cravavam-se na carne exposta dos braços, fazendo brotar gotículas de sangue rubro. Levou as feridas aos lábios e com a ponta da língua começou a lamber. Na lareira ficaram as brasas e o lume acendeu-se dentro dela. Pegou no cabo de uma faca de esfolar que estava ali por perto. Colocou-a em frente aos olhos enquanto fazia deslizar os dedos longuineos, primeiro ao longo da lâmina, terminando por envolver o cabo com a sua mão de púlpito.
Levantou-se.
Viu ao longe alguém a cavar duro na terra que um dia a há-de tragar com acolhedora maravilha.
Apertou o peito com força até criar duas auréolas de leite no vestido de dormir branco. Transparente de tanto uso, roto de tantos abusos.
Com a mão pousada na película vítrea da janela e com o vestido seguro pela anca, respira fundo e deixa que a corrente de ar húmida e agreste que vem lá de fora lhe beije a vagina, semi-aberta e orvalhada. E em seguida, com a faca empunhada corta pela raiz uma mão cheia de pêlos púbicos. Procura numa gaveta um alegre lacinho vermelho com que envolve os lustrosos pêlos e detem-se, palma da mão encostada ao vão da porta do quarto dos seus pais.
Entra e ajoelha-se junto à cama, uma mão no recato das duas grossas coxas e a outra na cara a varrer as lágrimas que logo de seguida desmaiou até ao peito cheio, a madeixa repousada na candura dos lençóis.
Quando acabou, virou as costas e os olhos para outra realidade que não aquela, benzeu-se antes de sair, e havia reparado, com um sorriso, no doce aroma a pecado que os seus dedos mantinham, ao desenhar em si a trindade.



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Coeficiente de mediocridade...


CM=AC x VC / NPP

CM-coeficiente de mediocridade
AC-anos que o sonho de ter casa própria perdurou até se tornar realidade
NPP-número de pessoas próximas

Isto é, com válida base científica, a equação para descortinar o coeficiente de mediocridade de um indivíduo.


Agora um assunto completamente off topic, é que segundo o ministério da saúde afinal, e pelo tom faz-me perceber que não passa de um mero acaso, afinal ainda não morreu ninguém em Portugal de H1N1 o que é um alivio e uma feliz constatação de que os panfletos que ensinam o cidadão comum (iliterado) a lavar as mãos como deve de ser, são eficazes. Todo um exemplo de como agir de forma a que a mensagem passe de forma clara.

E agora faço aqui nova ressalva, no caso não desviante; é todo um poderio estratégico, em termos de campanha eleitoral, que se perde aquando os delegados de propaganda médica não são usados nessa mesma campanha eleitoral. O H1N1 já ganhou, nas calmas.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Informação...


No jornal da noite da RTP fiquei a saber montes de coisas importantes; que o CDS comeu bacalhau à Zé do Pipo no mesmo restaurante que a caravana eleitoral do PS; que Paulo Portas pagou cafés a gente da rua; que os desempregados são pessoas como nós mas com menos sorte; etc.

Eu tenho sorte em estar a trabalhar, não é uma questão de cunha, mas de sorte, já que a cunha implica umas quantas movimentações.

E pronto, uma mensagem subliminar da RTP que mais não significa que o governo nada tem que ver com o factor alarmante do desemprego em Portugal mas vai mais longe ao desresponsabilizar os portugueses que se encontram, coitados, na situação de desemprego. Ainda não chegámos ao desplante fascista italiano mas ouvem-se passos rectos no escuro.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A pia e os porcos...


Já há algum tempo que a inércia e o cansaço me impediam de escrever aqui neste lugar, e lugar é tão mais belo que sítio, devo dizer.
Ora bem... o que se passa é que as eleiçoes legislativas estão ai à porta. Provavelmente nem poderei votar e se votar é um voto para a hipotética confiança que tenho na democracia, e eu não tenho essa confiança, mas o voto não deixa de ser a única arma de que, pessoas civilizadas e sem influência em qualquer lobby, dispõem. Assim sendo, e caso tenha disponibilidade e paciência para erguer a minha arma democrática deparo-me com a seguinte pergunta : - Em quem devo votar, Sócrates ou Manuela ? ( Eu sei que há mais. )

Votaria em branco, enfim, mas caso achasse que o meu voto devesse ser útil, entraria num dilema profundo ao qual dificilmente encontraria o fio à meada. E por isso aqui vos deixo um conselho de uma pessoa sábia que vale o que vale:

Os politicos são como porcos e o poder como uma pia cheia de comida podre, troquem-se os porcos e os novos que virão, virão sedentos.