sexta-feira, 29 de agosto de 2008


O capitalismo é um verme hediondo que nos retalha as entranhas,nos ataca de todas as formas e das formas mais criativas,que alimenta as nossas dívidas e nos afoga as mágoas em álcool e nos transforma em monstros consumistas,sôfregos,ridículos nos actos desesperados de ambição desmedida e fútil.O capitalismo é isso e muito mais,mas para quem,neste mar de detritos pútridos,conseguir cortar até alcançar a superfície...é,tão somente,a LIBERDADE.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

o aconteciMIento...


Contém alguns spoilers.

Dirigi-me ontem ao cinema,decido a ver Brincadeiras Perigosas de Michael Haneke,mas fui tarde.
Por entre blockbusters com múmias e afins que não me aprazem nem um pouco,optei então pelo Acontecimento,Acontecimiento em cartaz.A legendagem também se mostrou carregada de erros.
Shyamalan já me havia desiludido e voltou a fazê-lo.
O filme conta a história,que mais uma vez nos é colocada de um ponto de vista familiar,de uma América afectada por algo que provoca suicídios a torto e a direito sem causa aparente,remetendo-nos imediatamente para a situação aflitiva e de inimigo invisível do pós 11 de Setembro.
Como ideia conceptual é brilhante.Uma ameaça que vem do nada,sem porquê e que transforma algo tão insignificante como uma brisa ou uma árvore em temida origem do mal.O filme tinha potencial,é um facto.A fotografia não desilude,nem o som,nem o trabalho de câmaras que tem sequências cinemáticas muito eficazes e bem conseguidas como são exemplo os vários suicídios em série.O problema coloca-se quando as personagens abrem a boca.
Os diálogos parecem ter sido escritos por uma criança de 10 anos.Como exemplo,o drama que afecta o casal principal,pelo menos o mais explorado pelo filme,é o seguinte:a mulher sente-se culpada por ter comido uma sobremesa com o Joe,seja lá quem o Joe for.UAU...que drama!A certo ponto da estória o dito Joe liga-lhe e mais tarde o marido(marido,mulher!!!não me lembro do nome das personagens,a não ser do incontornável Joe)pergunta quem era...ela responde:-Ninguém.-E ele continua a conversa como se nada fosse.Ora isto não acontece...isto é inverosímil e as personagens todas foram construídas com base nessa inverosimilhança,como quando pessoas se estão a suicidar num campo ao lado e as personagens reagem sem drama nenhum,ou quando uma outra personagem mostra um vídeo de uma homem a ser desfeito por leões(cena esta que está irreal e exageradamente gore),ou quando uma outra personagem tenta reagir de forma estericamente anímica(seja lá o que isto for,neste filme aplica-se)à morte da sua filha do outro lado da linha,ou quando os maquinistas constatam perante o personagem principal que estão completamente isolados,subentendendo-se que todos à sua volta estavam mortos,como quem avisa que o comboio das 10:00 se vai atrasar.O enfoque dramático é completamente desbaratado neste filme,incluo aqui uma das cenas finais.
Mais catastrófico é quando o realizador se usa do slow-mo para enfatizar as já de si paupérrimas ditas cenas dramáticas.Como quando uma das crianças que acompanhava o casal protagonista,numa dada altura,é morta de forma descabida,convenha-se.Não se consegue traduzir a queda da moral e princípios vigentes que ali era pretendido,se não pretendido,pelo menos aconselhável.
O que este filme foi,a espaços,cria no espectador um sentimento de frustração,relembrando-lhe o que este filme poderia ter sido,se não se tivesse perdido por entre pormenores tontos de narrativa e realização.
Ainda não foi desta que M. Night Shyamalan voltou à boa forma de outrora.


6/10

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Margarida Rebelo Pinto...


(sintam-se livres de ler na parede por detrás da senhora uma bela metáfora a toda a sua obra)

Eis o que acontece quando as tias se viram para a escrita...mesmo quando as mesmas são licenciadas em línguas e literaturas modernas.
Ao que parece esta senhora lançou mais um livro,Português Suave de seu nome,livro este que já escalou tops e tal...nada de novo já que como se sabe ela é a diva da literatura light em Portugal.Carrega no rosto o toque etéreo da sabedoria insipia que transforma,como ninguém,em livro para português(e não só)ler.
Bem...li na Actual desta semana uma crítica ao livro da senhora em questão,isto porque,mesmo não estando até então ciente,por completo,da mediocridade épica da escrita de MRP,literatura light nunca me despertou a atenção,por conseguinte nunca li nem lerei nada que se pareça.Prefiro perder tempo a contar as pedras da calçada,que é bastante provável que tenham algo mais substancial a ensinar-me.
Tendo por base a crítica da Actual fiquei a saber que afinal a MRP não sabe escrever(pasmem-se,mas era algo que eu desconhecia,mas era algo que nem sequer me importava até então).
Dando exemplos:
-MRP faz a seguinte analogia/metáfora algures no seu livro:"Cheguei a um beco sem saída e quando me senti no fundo,olhei para cima e disse para mim mesma:agora vais ter que subir a puta da montanha."
-A certo ponto do livro,Leonor(personagem)revela o que de facto acha importante num homem:"Vestia-se bem,cheirava a Davidoff,não usava meias brancas(importante ponto de carácter isto das meias,friso)nem tinha mau hálito."What else?Quem tem um homem assim,tem tudo.
-Isto já para não falar nas personagens que mudam de nome pelo meio da narração,expressões repetidas até à exaustão...etc(infindável).
Ora que a mediocridade misturada com uns pozinhos de futilidade e pseudo-sofisticação vende bem,toda a gente sabe(eu pelo menos sei).Não é isto que me assusta nem que me indigna.O que me indigna é que a senhora Margarida Rebelo Pinto se formou há,mais coisa menos coisa,um bom par de décadas e segundo sei,na altura o nível de exigência da educação era bem mais elevado do que o que,placidamente,agora,se faz impor.E no entanto não se livrou(o sistema educativo,claro)de deitar uns quantos fetos mal alinhavados,isto para não os chamar de abortos o que ia parecer mal,cá para esta sociedade.Por isso temo pelo futuro deste país que se auspicia cada vez menos brilhante,com mentes a condizer.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

free the bird...


Eram 9:00 da manhã.Quase que não havia ar dentro dos lençóis e o que restava estava impregnado de humidade,a sua humidade.Mas não era por isso que deixava de arfar.Ela sabia que a hora era aquela,sempre.Não havia lugar para excepções naquele lugar.A porta abriu,de tão habituada que estava,limitou-se a empurrar o ar em silêncio.Ela afastou as pernas num gesto pré-programado.
O tecido de pana,grosso,bruto,desmoronou sob a inevitabilidade gravitacional,e depois umas cuecas,gastas,sujas.
Ele colocou o seu corpo,velho,duro,sobre o dela,novo,demasiado novo e macio.
Nunca se olhavam nos olhos,a vergonha não deixava.
Ele forçou caminho de uma assentada.O falo mergulhou às cegas e com aspereza.Não havia lugar para o prazer,no lugar para onde ele ia.
As lágrimas corriam-lhe pelo rosto,sempre pelos mesmos sulcos de carne,como rios,desaguando naquele lençol sujo que se falasse,tantas histórias pútridas tinha para contar.
E,enfim,o falo libertou com pretenso desprezo tudo o que de bom e de mau havia a libertar.E saiu com pressa.
-Pai?Amo-te.
O velho saiu de cima dela,vestiu as calças e ali a deixou.O lençol manchado de sangue,a alma num limbo entre razão e emoção.
Do outro lado da parede dormia um cão preto,sereno,profundo nas trevas.Nada de estranho se havia passado.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

pedaço (abissal) de ignorância...


"Gus Van Sant tem diversos momentos, com filmes muito bons e outros péssimos.

Dogville, Elefante, Gênio Indomável são alguns filmes bons dele.

Mas sinceramente, Last Days, eu não consegui terminar de ver! Achei chato pra caramba, acho que não passei nem dos 30 minutos de filme."


in:um qualquer forum brasileiro

quarta-feira, 4 de junho de 2008